Filosofia aplicada à Teologia
As
bases filosóficas das provas de Tomás de Aquino sobre a existência Divina
por Jonny W. Almada
“Para
que a inteligência humana possa investigar a Deus pela sabedoria é necessário
conhecer muitas outras coisas antes, pois praticamente todos os conhecimentos
filosóficos se ordenam a esse modo de conhecimento de Deus”, esta afirmativa
origina-se do pensamento de Tomás de Aquino acerca do reconhecimento da
Filosofia como ferramenta para a Teologia. Ele foi o maior filósofo escolático
e tornou-se influência ativa até os dias atuais referente a estudos filosóficos
e Teológicos.
O
sistema de conhecimento de Tomás de Aquino tem sido ensinado nas escolas
Católicas desde a segunda metade do século XIX. Sua influência foi responsável
pela ampla aceitação da filosofia de Aristóteles em detrimento da de Platão,
fazendo-a vigorar até a Renascença, quando foi retomado o pensamento platônico.
A
Teoria do conhecimento de Tomás de Aquino é a do realismo, ou seja, considera que os conceitos que apreendemos pelo
conhecimento possuem uma realidade autônoma e objetiva.
Acerca
das suas apresentações sobre a existência de Deus e sua natureza como Ser
absoluto, Aquino expunha que Deus, uma vez concebido como Ser absoluto, sem
nenhum limite, não é alcançado devidamente pela inteligência humana, senão por
meio de analogias.
Com
base no pensamento Aristotélico, Aquino divide o ente (o ser) em ato e
potência, divisão que é real nas criaturas, mas que não pode ser real em Deus,
no qual o ato e a potência formam uma unidade. Deus tem como essência ser
existência, porque também essência e existência não podem ser distintas em
Deus. Aquino ratificava que Deus é alcançado como princípio explicativo de
fatos que, sem Ele, não se explicariam.
Através
da doutrina da analogia, Aquino, atribui a Deus as perfeições criadas expõe que
o que se conhece a respeito de Deus é, portanto, um conjunto de negações e de
analogias. Por exemplo: Sabemos que Ele não é: imperfeito e limitado.
Tomás
de Aquino considera cinco vias que conduzem argumentos de comprovação da
existência Divina. Todas possuem características comuns de se firmarem na
evidência (sensível e racional), para proceder à demonstração, como a lógica
exige. São as provas:
· A primeira via argumenta a partir do fato do
movimento. Para que Ele exista é imprescindível que haja um primeiro motor, que
mova sem ser movido, conforme já advertia Aristóteles.
· A segunda via alega que as causas da
existência devem, em última instância, supor uma causa primeira eficiente.
· A terceira via considera o fato de que as
coisas que se apresentam no mundo são contingentes e que, nessa condição, não
existiram se não houvesse um ser não contingente; aqui podemos notar a
influência do pensamento de Avicera. Em Filosofia, contingente significa aquilo que não possui, em si mesmo, sua
própria razão de ser. Assim como Deus é necessário, porque é a causa e sua
própria existência, o homem é um ser contingente.
· A quarta via alega os graus de perfeição
constatados nos seres que conhecemos e que postulam um grau máximo de
perfeição, o que é um argumento tipicamente platônico. O caminho até Deus se
processa aqui por certos graus de perfeição encontrados no mundo dos fatos, e
que somente se explicam por um grau máximo, Deus.
· A quinta via toma como ponto de partida a
ordem do mundo, dada como um fim intencional; ou, ditas de forma diferente,
como as coisas sem conhecimento não tem a capacidade de querer um fim, deve-se
admitir que a ordem do mundo prova a existência de um ordenador exterior a Ele:
Deus. O mundo foi criado conforme a Bíblia, mas Deus o poderia ter criado desde
toda a eternidade.
Considera-se
que reunindo os argumentos válidos, rejeitando os impróprios, coordenando-os de
maneira ampla, as investigações de Tomás de Aquino sobre a existência Divina
excedem demasiadamente as investigações pré-existentes ao seu tempo. Suas
provas passaram a servir de padrão básico para os estudiosos que continuaram a
se ocupar do tema.