segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Filosofia aplicada à Teologia


Filosofia aplicada à Teologia

As bases filosóficas das provas de Tomás de Aquino sobre a existência Divina
 por Jonny W. Almada

“Para que a inteligência humana possa investigar a Deus pela sabedoria é necessário conhecer muitas outras coisas antes, pois praticamente todos os conhecimentos filosóficos se ordenam a esse modo de conhecimento de Deus”, esta afirmativa origina-se do pensamento de Tomás de Aquino acerca do reconhecimento da Filosofia como ferramenta para a Teologia. Ele foi o maior filósofo escolático e tornou-se influência ativa até os dias atuais referente a estudos filosóficos e Teológicos.
O sistema de conhecimento de Tomás de Aquino tem sido ensinado nas escolas Católicas desde a segunda metade do século XIX. Sua influência foi responsável pela ampla aceitação da filosofia de Aristóteles em detrimento da de Platão, fazendo-a vigorar até a Renascença, quando foi retomado o pensamento platônico.
A Teoria do conhecimento de Tomás de Aquino é a do realismo, ou seja, considera que os conceitos que apreendemos pelo conhecimento possuem uma realidade autônoma e objetiva.
Acerca das suas apresentações sobre a existência de Deus e sua natureza como Ser absoluto, Aquino expunha que Deus, uma vez concebido como Ser absoluto, sem nenhum limite, não é alcançado devidamente pela inteligência humana, senão por meio de analogias.
Com base no pensamento Aristotélico, Aquino divide o ente (o ser) em ato e potência, divisão que é real nas criaturas, mas que não pode ser real em Deus, no qual o ato e a potência formam uma unidade. Deus tem como essência ser existência, porque também essência e existência não podem ser distintas em Deus. Aquino ratificava que Deus é alcançado como princípio explicativo de fatos que, sem Ele, não se explicariam.
Através da doutrina da analogia, Aquino, atribui a Deus as perfeições criadas expõe que o que se conhece a respeito de Deus é, portanto, um conjunto de negações e de analogias. Por exemplo: Sabemos que Ele não é: imperfeito e limitado.
Tomás de Aquino considera cinco vias que conduzem argumentos de comprovação da existência Divina. Todas possuem características comuns de se firmarem na evidência (sensível e racional), para proceder à demonstração, como a lógica exige. São as provas:
·  A primeira via argumenta a partir do fato do movimento. Para que Ele exista é imprescindível que haja um primeiro motor, que mova sem ser movido, conforme já advertia Aristóteles.
·       A segunda via alega que as causas da existência devem, em última instância, supor uma causa primeira eficiente.
·     A terceira via considera o fato de que as coisas que se apresentam no mundo são contingentes e que, nessa condição, não existiram se não houvesse um ser não contingente; aqui podemos notar a influência do pensamento de Avicera. Em Filosofia, contingente significa aquilo que não possui, em si mesmo, sua própria razão de ser. Assim como Deus é necessário, porque é a causa e sua própria existência, o homem é um ser contingente.
·      A quarta via alega os graus de perfeição constatados nos seres que conhecemos e que postulam um grau máximo de perfeição, o que é um argumento tipicamente platônico. O caminho até Deus se processa aqui por certos graus de perfeição encontrados no mundo dos fatos, e que somente se explicam por um grau máximo, Deus.
·   A quinta via toma como ponto de partida a ordem do mundo, dada como um fim intencional; ou, ditas de forma diferente, como as coisas sem conhecimento não tem a capacidade de querer um fim, deve-se admitir que a ordem do mundo prova a existência de um ordenador exterior a Ele: Deus. O mundo foi criado conforme a Bíblia, mas Deus o poderia ter criado desde toda a eternidade.
Considera-se que reunindo os argumentos válidos, rejeitando os impróprios, coordenando-os de maneira ampla, as investigações de Tomás de Aquino sobre a existência Divina excedem demasiadamente as investigações pré-existentes ao seu tempo. Suas provas passaram a servir de padrão básico para os estudiosos que continuaram a se ocupar do tema.

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